Um “namoro” pago para se sentir especial.

Um “namoro” pago para se sentir especial.


Um empresário de 45 anos, identificado como Rafael, relata que, depois de dedicar quase toda a vida ao trabalho e abrir mão de relacionamentos presenciais — ele não se casou, não teve filhos e enfrenta dificuldades para conseguir uma relação no mundo real — passou a utilizar serviços de webnamoro. 

 Ele contratou uma criadora de conteúdo adulto para assumir o papel de “namorada virtual”: ela envia mensagens personalizadas de “bom dia”, gravações dizendo que sente falta dele e demonstra interesse de forma contínua. 

Esse tipo de relação faz parte do que se denomina “economia do afeto digital”, impulsionada por plataformas de conteúdo adulto que vão além da venda de fotos e vídeos sensuais e oferecem interações diárias mais próximas de um namoro virtual. Um estudo da startup brasileira Vibx aponta que o perfil predominante desse serviço são homens entre 25 e 40 anos com poder aquisitivo, que buscam atenção e afeto de forma virtual e com menos riscos emocionais que num relacionamento presencial. 

Segundo a criadora de conteúdo Karol Rosalin, de 26 anos, esse formato permite faturamentos que podem chegar a R$ 30 mil por mês por assinante, com vídeos personalizados e interações constantes — o que demonstra o tamanho do mercado em crescimento. 

Por outro lado, o psiquiatra e psicoterapeuta Saulo Vito Ciasca alerta que embora a carência seja uma motivação, muitas dessas pessoas têm dificuldade em construir intimidade na vida real.

Ele destaca que existe o risco de essa interação remunerada virtual se tornar dependência e substituir a troca afetiva autêntica, o que pode prejudicar relações e provocar problemas emocionais. 

Fonte: UOL – “Empresário, ele paga pra ter afeto digital: ‘Me sinto especial’”

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